Bem Vindo!

TRANSEUNTES

Criado em abril de 2012, o grupo de pesquisa"Transeuntes: Estudos sobre performance e Teatro performativo" foi formado a partir da necessidade de artistas em ampliar os estudos sobre as intervenções performáticas nas ruas. Em parceria entre Professores e Alunos do Curso de Teatro (COTEA) da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei), o projeto consiste, entre outros pontos, em estudos teóricos sobre determinados autores que abordam o teatro nas ruas e em experimentações práticas que visam inserir o espectador transeunte na construção dos processos criativos, a partir das temáticas referentes às abordagens atuais. A pesquisa tem como principal objetivo investigar as propostas de estreitamento entre a cena contemporânea e o espectador transeunte nas ruas de São João Del-Rei, visando analisar a inserção do público como participante das ações performáticas, na busca de:

(...) Utilizar o ambiente urbano de maneira diferente das prescrições implícitas no projeto de quem o determinou; enfim, de dar-lhe [espectador-cidadão] a possibilidade de não assimilar, mas de reagir ativamente ao ambiente. (ARGAN, 1998, p. 219)

Os membros atuais do grupo Transeuntes são:

Professores - Ines Linke e Marcelo Rocco.

Alunos - Débora Trierweiler; Diego Souza; Diogo Rezende; Fernanda Junqueira; Gabriela Ferreira; Guilherme Soares; Halina Cordeiro; Henrique Chagas; Isabela Francisconi; Kauê Rocha; Nathan Marçal; Paula Fonseca; Rick Ribeiro; Tatiane Talita.

sábado, 15 de junho de 2013

EXERCÍCIO EM FLUXO - VALÊNCIO XAVIER - POR BRANCA MARÍLIA

DINÂMICA BASEADA NO TEXTO DE VALÊNCIO XAVIER:
“Rrmembranças da menina de rua morta nua”


DEITADOS: FECHEM OS OLHOS
SINTAM A SUA RESPIRAÇÃO
INSPIRE EM 4 E SOLTE EM 4, INSPIRE EM 6 E SOLTE EM 6, INSPIRE EM 8 E SOLTE EM 8, INSPIRE EM 4, BEM LENTAMENTE E SOLTE EM 8
AGORA PENSEM Q ESTÃO FLUTUANDO POR UM PARQUE
NESTE PARQUE TEM TOBOGÃ, CARROSSEL, CARRO DE BATIDA, TEM TIRO AO ALVO, TEM BARCO VIKING, RODA GIGANTE, TEM UMA MINI MONTANHA RUSSA, LÁ NO FUNDO TEM UM TREM FANTASMA
VOCÊ ESTÁ OLHANDO O TREM FANTASMA, ELE NÃO TEM MUITO ESPAÇO VISTO DE CIMA, ELE DEVE TER SÓ UMA CURVA, AGORA VC VAI FICAR DE FRENTE PRA ENTRADA DO TREM FANTASMA, IMAGINE QUE VC É A ÚNICA PESSOA QUE ESTÁ EM TODO O PARQUE, QUANDO OLHA PRA TRAS, NINGUEM, NINGUEM COMPRANDO INGRESSO, NENHUM BRINQUEDO FUNCIONA, N TEM PIPOQUEIRO, NÃO TEM O MOÇO DO ALGODÃO DOCE, NÃO HÁ RISOS, NÃO HÁ GRITOS VINDOS DE NENHUM BRINQUEDO
PRINCIPALMENTE NÃO HÁ GRITOS VINDO DO TREM FANTASMA, NÃO TEM NINGUEM
AGORA VC VAI SE APROXIMAR DA ENTRADA DO TREM FANTASMA, VC ENTRA NO CARRINHO PRA COMEÇAR SUA VIAGEM NO TREM FANTASMA, VC SENTA E O CARRINHO COMEÇA A ENTRAR NO TREM, MAS NINGUEM LIGOU O CARRINHO, ASSIM MESMO ELE ESTÁ ANDANDO, ESTÁ ESCURO, MUITO ESCURO, QUANDO COMEÇA SUA VIAGEM, SEU CORAÇÃO ESTÁ MUITO ACELERADO, VC ESTÁ PENSANDO EM DESISTIR, MAS CONTINUA
PRA SABER O QUE TEM NO ESCURO, TEIAS DE ARANHA, BARULHOS ESTRANHOS, GEMIDOS, HÁ UM GEMIDO, UM GEMIDO BAIXO, MAS PERSISTENTE, VC NÃO TIRA AS MÃOS DO CARRINHO, VC QUER SABER DE ONDE VEM O GEMIDO, O CARRINHO PASSA POR MONSTROS, AQUELES QUE PARECEM QUANDO VC TINHA PESADELO EM CRIANÇA, TODOS OS MONSTROS DE SUA INFANCIA ESTÃO ALI, NA VIAGEM DO SEU TREM FANTASMA, AQUELA PESSOA QUE VC TINHA MEDO, QUANDO ERA CRIANÇA, QDO VC IA PASSEAR COM SUA MÃE, AQUELA PESSOA ENCONTRAVA COM VC E SUA MÃE, E VC SE AGARRAVA AOS BRAÇOS DELA, VC SE LEMBRA DAQUELE SEU AMIGUINHO QUE TE COLOCAVA MEDO NO RECREIO, QUE TE MALTRATAVA, OS GEMIDOS CONTINUAM, VC QUER DESCOBRIR QUEM É, VC SE LEMBRA DOS MEDOS, VC QDO CRIANÇA VIU UM FILME DE TERROR, NESTA NOITE VC NÃO CONSEGUIA DORMIR, VC SE LEMBRA AGORA DO SEU QUARTO, VC SOZINHO NO ESCURO, OS GEMIDOS ESTÃO MAIS PROXIMOS, DE REPENTE SEU CARRINHO DO TREM FANTASMA PARA, VC QUER SABER QUEM ESTÁ LÁ, QUEM ESTÁ SOFRENDO, VC SE LEVANTA DO CARRINHO, VC TATEIA O ESCURO, VC SE LEMBRA DE QUANDO ESTAVA NO SEU QUARTO ESCURO, QUEM VC CHAMAVA, EM QUEM PENSAVA PRA TE TIRAR DALI, OS GEMIDOS PARAM, VC SE LEMBRA DE COMO FAZIA PRA PARAR DE TER MEDO, VC QUER SABER QUEM ESTAVA GEMENDO, VC ENCONTRA UMA CAIXA QUANDO ESTAVA TATEANDO O ESCURO, VC QUER ENFRENTAR SEUS MEDOS, VC VÊ UMA FRESTA DE LUZ DENTRO DA CAIXA, A CAIXA TEM O TAMANHO DE UMA CAMA, VC VAI ABRIR A CAIXA, VC QUER ACABAR COM O ESCURO.
ABRE A CAIXA E QUEM ESTÁ DORMINDO É VC. VC ESTÁ GRITANDO. AGORA VOCÊ ESTÁ VENDO. ABRE OS OLHOS E VÊ QUEM ESTÁ GRITANDO NA CAIXA É VC.
PODEM ABRIR OS OLHOS AGORA,
ESTE É O EXERCICIO QUE PROPONHO BASEADO NO TEXTO DA MENINA MORTA, MINHA IMPRESSÃO AO LER O TEXTO FOI TENTAR DESVENDAR O MEDO DE ACHAR UMA PESSOA MORTA NUM TREM FANTASMA

POR BRANCA MARÍLIA BEZERRA 

domingo, 5 de maio de 2013

POR MATHEUS WAY
Oficina: "Eu mercadoria" 25/04/2013.

Iniciamos a oficina com breve alongamento e relaxamento, deitados, percebíamos o contato do nosso corpo com o chão, nossa respiração e assim íamos progressivamente relaxando os músculos a cada expiração afim de aumentar o contato com o solo. Começamos então a, sutilmente, movimentar as articulações dos dedos dos pés, dos tornozelos, joelhos, bacia e quadril, o tronco, mãos, cotovelos, pescoço e cabeça, respectivamente. Usando todas as articulações movimentamo-nos pelo chão ganhando o plano médio, voltando ao baixo por varias vezes até atingir o plano alto, onde começamos a andar pensando no enraizamento, no alinhamento da coluna e na postura ativa. Sugeri então que as participantes da oficina buscassem na sala algum objeto de pouco valor financeiro. Os objetos escolhidos foram: meia, garrafa, barbante e aba de boné. Orientados por mim os performers investigaram as propriedades do objeto, como: cor, peso, tenacidade, tamanho... O passo que se seguiu foi a descrição mínima do objeto e mais tarde a tentativa de vender esse objeto aos companheiros de oficina. Mais tarde cada um apresentou como em um comercial de TV o objeto que tinha em mãos, o papel dos outros colegas era dizer se eles compravam ou não os objetos, todos obtiveram exito. Deixando os objetos de lado, agora cada um deveria mimar seu objeto, e posteriormente humanizar esse objeto, o que se via era um homem-garrafa, uma mulher-barbante e assim por diante. O exercício consistia em se vender como objeto. Foram interessantes algumas falas que surgiram no decorrer do processo, como: "me beba" ou ainda "posso te amarrar". Outro exercício proposto foi o anuncio de jornal dos corpos dos participantes da oficina. Finalizando a oficina, uma dinâmica de grupo foi proposta afim de desenvolver a percepção dos performers, essa dinâmica consistia em um jogo infantil onde um "mestre" (escolhido pelos membros do grupo) fica de costas para o restante das pessoas presentes na sala, que por sua vez ficam atrás de um linha marcada no chão, o objetivo é chegar até o mestre sem que este o veja e então tocar suas costas. Quando o chefe vê os outros se movimentando, estes devem voltar para trás da linha e recomeçar o trajeto afim de concluir seu objetivo. Participaram desta oficina: Marcelo Rocco, Luís Firmato, Branca Marilia Ribeiro e Erika Camila.

sexta-feira, 26 de abril de 2013


SENTIR-SERTIR-SER-TI

Deitar no chão e se entregar a ele, buscar contato com o chão. Foi assim que Mateus Way deu inicio aos exercícios ministrados por ele na quarta-feira 25 de abril.
 Ir ao chão, Sentir-ser chão. Depois o caminhar. Tão importante caminhar.
Imprescindível.

 Caminhamos e encontramos um objeto. Relacionar com este objeto. Sentir-ser este objeto. Descobrir sua materialidade, absorver, experimentar, experienciar  e então, após termos relacionado com ele e portanto descoberto seu valor, ou ainda criado um valor para ele deveríamos vender, oferecer, provocar o outro a comprar, a querer, a desejar sentir-ser tal objeto. 

Abandonando o contato físico direto com o objeto fomos convidados a tentar trazer o objeto para o corpo. Ser-sentir o objeto. E buscar relações com os outros objetos a partir de. "Beba-me", "Deixa te usar", "Vou proteger você", prostitutas e suas formas de se oferecer. Potentes frases de efeito e uso nada comum. Cotidiano traduzido em palavras de grande provocação e condenação.
Oferecer-se, dar um preço para uma noite e convencer em palavras o que temos de bom. E então ler, Ser-sentir como se oferecer, como tornar-se objeto de desejo e uso. Desejo ou uso. 

MEU USO
        uso
           o
que   sou
no uso do que o outro tem
tem, vem, me tem.

O chefe de costas, servos atrás. Todos querem pegar suas costas, tocar suas costas. O toque nas costas me torna chefe pelo desejo de sê-lo. Pelo desejo de tocar quem está no poder  e então SER-PODER. Descofiados os chefes obrigam os servos a retornar ao ponto inicial assim que surpreendidos. Mil vezes retornando sou Sísifo que revolta e toca as costas, consegue ser chefe, líder, poder. Ser lugar desejado por não muito tempo.

Os exercícios me fizeram desejo. Desejo de ir mais a fundo. Vender mais. Vender tudo. Mais exercícios MATEUS que esses já me serviram muito.

BRANCA MORTE
Deitados no chão fomos conduzidos por uma leitura, por uma cidade, parque e trem fantasma.
No escuro tateamos, encontramos nossos medos e refletimos sobre eles. Encontrei-me com o que me amedronta. Pensei no por que de tais medos e descobri que a morte é o maior deles.
Sou capas de morrer de medo de morrer.
Seria uma morte elegante. Digna, talvez. Mas, elegante.
Nada de sangue e pedaços de corpo por onde se vem. Nada de deformações e afogamento. Nada de morrer assassinado ou em meio ao fogo. Morrer morrendo de uma morte viva. Morrer por não conceber a ideia de não poder fazê-lo. Morrer por não poder morrer.

                  MORRER: UM PODER

          Ter que morrer...
           e sem poder para poder morrer, morrer.
           Moer e morrer, esmuecer e no fim
           poder escolher como morrer
           na falta de escolha de não poder não morrer

Melhor um poema imbecil que morrer.

No fim encontramos um caixão e dentro dele estaria mil coisas tão banais quanto uma menina ou restos de seu corpo. Mas foi comigo que me encontrei. Com minha morte.
Macabra condução narrativa até a morte. Só que a minha. Só que não. Ainda estamos deitados e de olhos abertos a luz não agrada.

São João del-Rei. MG. 25 de abril de 2013

Luís Firmato.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Por Luis Firmato
ABUSO DE EXPERIÊNCIAS
        Fizemos dois exercícios provocativos para a idéia de encenação performática que faremos no grupo de estudos . Marcelo Rocco vedou nossos olhos e iniciou uma série de ações que ajudaram a refletir sobre uma pessoa abusada, violentada, obrigada a fazer coisas sem seu controle ou escolha. Derrubando coisas que provocavam barulhos enormes, jogando água, nos arrastando e nos levando por lugares com variações de velocidade pudemos ter uma série de indicações e sugestões dos estados de pessoas que passam por tais situações. Se essas experiências não se comparam aos horrores do estupro e abusos sexuais são indicadores perfeitos da precariedade e falta de ferramentas para se defender quando estamos em uma situação inferior. Seja em força física ou em uma hierarquia determinada por quem nem sabemos. Esses abusos não arriscados, porém inesperados me levou a refletir sobre pequenos abusos não declarados com tal. Piadas de mau gosto e pequenos abusos de poder que juntos dão forma e lugar a uma estrutura insignificante quando isolada, mas mantenedora de diversos preconceitos em uma visão macro. Muitas vezes pequenos deslizes são desconsiderados e acabam provocando enormes estragos.
                Estragos provocam também a mídia sensacionalista e seus apelativos métodos. No segundo exercício, enquanto Karla depunha sobre um crime, eu a interrompia com uma palma, iniciando uma propaganda de algum produto ou serviço provocados por alguma parte de sua fala. O riso veio fácil. Refletindo sobre o ocorrido me surpreendo sobre como isso é recorrente. Diariamente somos espectadores de notícias e formações banalizadas pelos meios de comunicação. É absurdo o modo como mesclam e conectam fontes distintas e intenções díspares para provocar o efeito desejado. São crimes bárbaros que servem para vender produtos e produtos de efeitos aparentemente milagrosos que adiam a noticia que anuncia tudo, menos a total falta de sentido em tais audiências.
              Nesse “abuso de experiências” podemos encontrar numerosas potencias que dialogam diretamente com a proposta da encenação e que contribuíram para que a reflexão seja privilégio de espectadores e performances.

                Luís Firmato.

segunda-feira, 11 de março de 2013

 
Texto de Branca Marília Bezerra 
O exercício de terça feira, 05 de Março, proposto por nossa colega Thaissa Guarani Kaiowa foi de primeiro perceber nosso corpo, sentir cada movimento q fazíamos, sentir os barulhos e espaço em que estavamos, foi um exercício ao ar livre, portanto fazer este tipo de exercício neste espaço é sempre mais interessante. Na minha opinião o espaço aberto nos possibilita escutar mais, ver mais, sentir mais, me senti completamente livre e ao mesmo tempo atenta e presa ao meu corpo, corpo este que me possibilitou fazer movimentos que eram de percepção espacial. Senti uma boa vibração entre os transeuntes e a proposta de exercício. Este tipo de exercício é bom pra percebermos os movimentos do outro, percebermos o quanto podemos intervir artisticamente no espaço em que nos encontramos. Acho válido levarmos este exercício pra rua...