Bem Vindo!

TRANSEUNTES

Criado em abril de 2012, o grupo de pesquisa"Transeuntes: Estudos sobre performance e Teatro performativo" foi formado a partir da necessidade de artistas em ampliar os estudos sobre as intervenções performáticas nas ruas. Em parceria entre Professores e Alunos do Curso de Teatro (COTEA) da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei), o projeto consiste, entre outros pontos, em estudos teóricos sobre determinados autores que abordam o teatro nas ruas e em experimentações práticas que visam inserir o espectador transeunte na construção dos processos criativos, a partir das temáticas referentes às abordagens atuais. A pesquisa tem como principal objetivo investigar as propostas de estreitamento entre a cena contemporânea e o espectador transeunte nas ruas de São João Del-Rei, visando analisar a inserção do público como participante das ações performáticas, na busca de:

(...) Utilizar o ambiente urbano de maneira diferente das prescrições implícitas no projeto de quem o determinou; enfim, de dar-lhe [espectador-cidadão] a possibilidade de não assimilar, mas de reagir ativamente ao ambiente. (ARGAN, 1998, p. 219)

Os membros atuais do grupo Transeuntes são:

Professores - Ines Linke e Marcelo Rocco.

Alunos - Débora Trierweiler; Diego Souza; Diogo Rezende; Fernanda Junqueira; Gabriela Ferreira; Guilherme Soares; Halina Cordeiro; Henrique Chagas; Isabela Francisconi; Kauê Rocha; Nathan Marçal; Paula Fonseca; Rick Ribeiro; Tatiane Talita.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Discussão acerca do video do vlogueiro Felipe Neto

Essa semana, discutimos online sobre um assunto que esta sendo bastante polêmico na internet, a eleição da atriz Lupita Amandi Nyong'o como a mulher mais bonita do mundo pela revista Vogue.

"Esse vídeo está rodando na net. Achei que devia postar para discutirmos à respeito por que esse rapaz " fala com muita propriedade" sobre a beleza. Vamos discutir o preconceito imbuído e seu questionamento sobre a beleza de Lupita? Postem suas opiniões!



  • Marcelo Rocco ele se esquece da importância na valorização da estética do negro, gerando um outro olhar sobre o negro, de autoestima.
  • Marcelo Rocco será que, independente do lucro, não é melhor começar a ter outros olhares sobre o que é belo?
  • Marcelo Rocco VEJA A RESPOSTA DO MEU PSEUDONIMO
  • Marcelo Rocco 
    QUE BOM QUE PARA VOCÊ O OLHAR SOBRE A MULHER NEGRA DEVE SE MANTER SEMPRE NO MESMO LUGAR. O QUE FAZ VOCÊ PENSAR QUE ISTO É APENAS UMA ESTRATÉGIA DE MARKETING PARA VENDER A REVISTA E POLEMIZAR? E MESMO QUE SEJA, PARA VOCÊ É MELHOR QUE SE MANTENHA SEMPRE OS MESMOS PADRÕES DE BELEZA JÁ IMPOSTOS ANOS E ANOS PELA MÍDIA? NÃO DEVEMOS MUDAR? SERÁ QUE VOCÊ NÃO PREFERE OS NEGROS NO MESMO LUGAR SUBALTERNO QUE SEMPRE ESTIVERAM? COMO O CASO DA MULHER QUE É NEGRA E SERVE O CAFÉ PARA VOCÊ? POR FAVOR, NÉ? O SEU DISCURSO SOBRE O "BELO" É EQUIVOCADO, POIS TALVEZ ELA NÃO SEJA O SEU PADRÃO DE BELEZA E É RICA E NÃO FICA SERVINDO CAFEZINHOS NEM LIMPANDO A BUNDA DE BABAQUINHAS BURGUESES,
  • Camelia Amada Guedez Pra começar eu vejo muita incoerência no discurso dele. Ele quer criticar padrões de beleza mas se baseia totalmente neles. Minha opinião no momento, digo no momento pq não tenho problemas em mudar de opinião quando sou convencida por argumentos sensatos, é: primeiro:Acho uma eleição de a mais bonita do mundo idiota. confesso que não vi a reportagem da revista em questão mas acho mais valido ampliar a visão pra diversas belezas do que eleger uma e querer coloca-la como lei a partir da importância da publicação. A Lupita é bonita? Sim, muito e não "bonita dentro de suas características étnicas" como foi dito, coisa que eu acho tbm idiota de se dizer. Ela é bonita pq pra mim é agradável de ver a figura dela, o que me faz pensar sobre a subjetividade do belo.Acho relevante, nesse mundo de padrões rígidos empurrados pela mídia que uma mulher negra, figure a capa de uma revista em uma matéria que fala sobre beleza. acho que isso pode ajudar na valorização e na auto estima sim, afinal pra uma população tão discriminada é muito bom se ver de forma diferente mas me pergunto porque sempre que falamos de resgate de auto estima caímos no velho concurso de beleza.pra terminar, eu acho o felipe neto bobo, muito mas o vídeo dele tem valor ao colocar em voga certos assuntos inclusive a bobagem dele. refletir sobre padrões só nos ajuda a derruba-los mais facilmente. num sei se me fiz entender. um comentário é pouco pra mim. rsrsr falo demais!
  • Camelia Amada Guedez o que fica pra mim tbm Marcelo é que falar que uma mulher negra é bonita causa muta polemica.
  • Marcelo Rocco este é o ponto, ele não percebe que o discurso preconceituoso é dele, por não acreditar, não se sentir convencido do "belo" proposto pela revista. Camelia Amada Guedez
  • Iolanda De Lourdes Certo que se fosse mais uma mulher branca na capa da vogue, independente desse garoto te-la achado bonita ou nao, nem se quer cogitaria a hipótese de se fazer um video. As pessoas se sentem incomodadas so pelo fato da mulher que esta na capa de uma revista tao famosa, ser negra. esse imbecil questiona nao so essa posicao, mas tambem questiona o padrao de beleza da mulher indiretamente. pois ele nao acha lupita bonita. isso e a opiniao dele, que ve a beleza europeia como unica possibilidade do belo. lamentavel tanta gente seguir esse garoto vendo seus videos...
  • Iolanda De Lourdes de fato, a revista esta lucrando, mas isso nao e agora por ter uma negra na capa. a revista e um sucesso independente de brancas e negras na capa. Muita desculpa esfarrapada dizer que a revista esta se aproveitando dela para lucrar. e ainda mesmo se fosse, concordo com voceMarcelo Rocco, estao ainda ressaltando uma beleza negra que carrega com ela toda a carga de ser estigmatizada pela sua cor. que bom que algo de certa forma esta sendo questionado e posto a prova. Os racistas se debatem. hahaha
  • Sabrina Mendes Como ele, acho uma merda escolher alguém pra ser considerado o mais bonito (a) do mundo, independente de qualquer característica da pessoa.
    Mas já que existe essa classificação, acho importante que uma mulher negra seja também classificada como a mais bela do mundo.

    Não gosto de certas definições, e quando se diz que fulano é o mais bonito do mundo, teremos então um ponto para alcançar, todos com a mesma cara e o mesmo corpo, 
    excluindo qualquer beleza diferente daquilo.
    Para mim, o ideal seria que essas premiações de beleza não existissem mais.



quarta-feira, 23 de abril de 2014


SOBRE O ESPETÁCULO: MORRA! MAS ANTES APROVEITE AS NOSSAS LIQUIDAÇÕES”
SINOPSE
A ANUNCIADA: A MORTE VIOLENTA DE UMA ADOLESCENTE MOSTRA COMO TODOS PODEM CONSUMIR E LUCRAR SOBRE TAL ACONTECIMENTO.
DESDE OS REPÓRTERES SENSACIONALISTAS ATÉ OS REPRESENTANTES COMERCIAIS COM SUAS STANDS DE VENDAS CONTENDO FOTOS, CAMISETAS E PÔSTERES DA MENINA.
TODOS QUEREM SE SENTIR PERTENCENTES, PRÓXIMOS À VÍTIMA. 
OS PARENTES DA MENINA DESEJAM A PROJEÇÃO NA MÍDIA.
A MORTE COMO UM ESPETÁCULO. 
A FRÁGIL VIDA NOTICIADA INCESSANTEMENTE PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO. TODOS RETIRAM UM PEDAÇO DAQUELE CORPO.
 E A MENINA VAI SE ESVAINDO.
O QUE IMPORTA É FAZER O ESPECTADOR FICAR SENTADO EM SUA POLTRONA OBSERVANDO. ATENTO.
ENTRE UM COMERCIAL E OUTRO, A NOTÍCIA DA TRAGÉDIA VAI SENDO DESMEMBRADA. DILACERADA. ESGOTADA.
NUM OFERECIMENTO DE WALLITA. APROVEITE AS NOSSAS LIQUIDAÇÕES!.

AS RUPTURAS DO COTIDIANO


O O conceito de intervenção urbana reflete em rupturas do cotidiano, desconstruindo certas formas dos espaços acinzentados das grandes construções. Espaços estes que o poder do capital proporciona. Sendo assim, as intervenções podem provocar o cerceamento de certos padrões para aparecer novas formas de inter-relação entre os seres e a cidade. Pensando sobre este aspecto, o Transeuntes tenta traçar uma direção que  possa oferecer ao espectador outros olhares aos desenhos habituais da cidade:
“O espectador atual é irremediavelmente reenviado ao seu tempo, o tempo real”
(LEHMANN, 2007, p. 327).
O conceito de intervenção urbana reflete em rupturas do cotidiano, desconstruindo certas formas dos espaços acinzentados das grandes construções. Espaços estes que o poder do capital proporciona. Sendo assim, as intervenções podem provocar o cerceamento de certos padrões para aparecer novas formas de inter-relação entre os seres e a cidade. Pensando sobre este aspecto, o Transeuntes tenta traçar uma direção que  possa oferecer ao espectador outros olhares aos desenhos habituais da cidade:
“O espectador atual é irremediavelmente reenviado ao seu tempo, o tempo real”
(LEHMANN, 2007, p. 327).
O conceito de intervenção urbana reflete em rupturas do cotidiano, desconstruindo certas formas dos espaços acinzentados das grandes construções. Espaços estes que o poder do capital proporciona. Sendo assim, as intervenções podem provocar o cerceamento de certos padrões para aparecer novas formas de inter-relação entre os seres e a cidade. Pensando sobre este aspecto, o Transeuntes tenta traçar uma direção que  possa oferecer ao espectador outros olhares aos desenhos habituais da cidade:
“O espectador atual é irremediavelmente reenviado ao seu tempo, o tempo real”
(LEHMANN, 2007, p. 327).

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Reflexão sobre a visita a exposição ELLE: Mulheres Artistas na Coleção Pompidou

O Prazer é das Mulheres.
Pretendo relatar aqui minhas impressões sobre a exposição ELLE: Mulheres Artistas na Coleção Pompidou e para tanto usarei como base a visita á exposição realizada no dia dezenove de outubro bem como meu conhecimento sobre algumas artistas e suas respectivas obras.
A exposição, conhecida na França como expo-coleção, vem de encontro com o reconhecimento da mulher enquanto artista, quando esta deixa de ser tema, modelo para se tornar o fazedor. Não que as expressões artísticas masculinas que representaram a mulher sempre foram indignas, mas temos aqui um reconhecimento e identificação diretos. As obras, que fazem parte do acervo do centro Pompidou, trazem uma verdade sobre a criação da mulher em arte levantando diversos questionamentos sobre este papel. Todas as obras faziem parte da coleção do museu o que demonstra que  a importância associada ás artistas em manifestações e expressões artísticas talvez se deva mais ao desconhecimento do que de sua efetiva presença. Aqui não cabem artistas cuja bografias apresentem pseudônimos ou produções artísticas obscurecidas pelas personalidades ou visibilidade de seus amantes e parceiros. São elas, a partir de suas obras que nos demonstram que se não são comparáveis em números com os artistas homens, o são em importância nos movimentos e valores artísticos de suas obras. Seus espaços de atuação foram conquistados com trabalho e luta. Talvez por isso, como Frida recusem serem tratadas como sonhadoras.
Em seu “O QUADRO” a artista mexicana nos apresenta um auto-retrato em uma moldura típica de santos, muito comum em seu país. Os diálogos possíveis falam diretamente á questão do artista. Serão eles deuses? Santos? Mártires? O sofrimento de uma santa até chegar á beatificação podem também ser os dos artistas, ainda mais se forem mulheres. Em uma sociedade e classe machista Frida se impôs criando obras de uma verdade escandalosa. Pintou-se imóvel em uma cama de hospital e não exitou em traduzir em tintas na tela a dor de ver seu filho não nascido em um pote de vidro. A presença da artista na exposição fala mais do que a obra escolhida. Pertencente á coleção do centre Pompidou o que “O Quadro” traz são todas os sentimentos  e cores de Frida que não cabem neste tamanho mínimo mas estão sempre ali nas questões dos artistas. Bem como nas obras de Diane Arbus.
Fotografando o cotidiano e suas cerimônias a artista apresenta figuras do submundo, revelando sua existência e insultante presença. Estão ali a prostituta, a drag, o travesti. Estão ali o humano e a realidade das cidades que insistem em esconder o que elas mesmas comportam. Não cabe aqui o comedido esforço de Valérie Belim que tenta nos confundir, e assim atentar, para a artificialidade de nossa adoração pela imagem ideal. Cruelmente expostos vemos nas fotografias de Diane uma denúncia do que existe para além das galerias e espaços higienizados.
Presença também existe nas reproduções em vídeo das performances de Marina Abramovic. Ela fala da beleza da arte e do próprio artista trabalhando o limite do corpo, da dor e da exaustão. As possíveis leituras de suas performances mais recentes evidenciam como suas escolhas auxiliaram em seu crescimento como artista e como a absorção das técnicas ocorreram no interior de sua próprio fazer artístico. Seja dançando por horas, seja sentada em uma cadeira dentro de um museu, Marina consegue articular os elementos escolhidos com destreza incrível. Se as artistas como Maia Helena Vieira da Silva e a polonesa Alice Halicka comprovam como foram condizentes com os movimentos artísticos aos quais pertenceram Abramovic rouba a cena, instaurando uma presença sigular na arte da performance que engloba em grande parte mulheres artistas. Tal afirmação pode ser exemplificada com outros nomes da exposição.
Orlan, Valie Export, Ana Mendieta e Regina José Galindo são artistas que foram além das convenções do fazer artístico. Seja com intervenções cirúrgicas reais, seja colocando o corpo ao toque, apreciação e manuseio, todas se tornam obra. Sem seus corpos e presença física não podem existir. Ou o fazem apenas como memória em vídeo que se nos faz perder o encantamento e energia da hora da ação, nos permitem imaginar e contatar com as potências de cada proposta.
Muito potentes as fotos de Nan Goldin. Nelas me incomoda apenas as escolhas das projeções entre os casais homossexuais que, comparando com ás de héteros, trazem maior apelo pornográfico. Fiquei Interessado em saber mais sobre as relações da artista com as questões homoafetivas.
Extremamente potentes as articulações entre objetos relacionados ao universo feminino apresentados por algumas artistas. Destaque para Sigalit Landau que numa dança com bambolê de arame farpado, fala do sofrimento da mulher e suas obrigações. Do limite do alcance feminino imposto pela sociedade e da submissão das mulheres á diversas atividades em sua maioria não escolhidas. Sanja Ivekovic cortando a meia de seda que cobre seu rosto fala também dos riscos do feminino. Do constante perigo de ser mulher,  das especificações de atender a um ideal na maioria das vezes inquestionável. Sonia Andrade e Orlam também o fazem, mas se a primeira nos agonia pela modificação momentânea de sua figura, usando o buraco do brinco, a segunda vai além com modificações cirurgicas permanentes, em busca de uma beleza escolhida por outros que nem mais sabemos que não nós. Germaine  Richier usa um vaso para construir sua escultura. É a mulher utensílio. A casa que não sai da mulher que não sai de casa. Martha Rosler questiona também o lugar reducionista destinado a mulher com seus utensílios incrustados na escala doméstica. É preciso uma Guerrila  Girls para confrontar não só tais estruturas, mas o próprio museu, reivindicando uma participação feminina que vá além de meras modelos. Fico extremamente incomodado com o bicho carangueijo de Lygia Clark não poder ser manuseado. A troca entre o expectador e a obra, que só existe em seu sentido original a partir dos “estímulos”, fica prejudicada. Entendo a importância de conservação do original, mas uma solução poderia ser uma réplica para manuseio direto. Nestes momentos reflito sobre como o artista pensaria a curadoria de suas obras. Louise Borgeois jamais concordaria em saber que uma de suas aranhas está presa em uma sala envidraçada do MAM em São Paulo, ainda bem que aqui suas obras, se não podem ser toados, poder ser apreendidas de perto. Suas pinturas e bordados sobre papel falam da mulher e da delicadeza de cada existência. Da efemeridade da arte e do humano. Grande presença entre tantos nomes importantes e relevantes para o meio artístico.
Sendo assim podemos considerar que a iniciativa do centro Pompidou além de promover uma maior conscientização de outras instituições para a aquisição de obras relevantes para seus acervos cuja criação seja de mulheres coloca no centro das discussões a importância destas obras e de suas criadoras para a produção artística mundial. O CCBB de Belo Horizonte demonstra com a escolha desta exposição que pode oferecer mais do que momentos de “PRAZER” em labirintos especulativos sobre a vida de escritores cuja relevância de suas produções não são reveladas nem na escolha do material dos praticáveis.

Luís Firmato