Bem Vindo!
TRANSEUNTES
Criado em abril de 2012, o grupo de pesquisa"Transeuntes: Estudos sobre performance e Teatro performativo" foi formado a partir da necessidade de artistas em ampliar os estudos sobre as intervenções performáticas nas ruas. Em parceria entre Professores e Alunos do Curso de Teatro (COTEA) da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei), o projeto consiste, entre outros pontos, em estudos teóricos sobre determinados autores que abordam o teatro nas ruas e em experimentações práticas que visam inserir o espectador transeunte na construção dos processos criativos, a partir das temáticas referentes às abordagens atuais. A pesquisa tem como principal objetivo investigar as propostas de estreitamento entre a cena contemporânea e o espectador transeunte nas ruas de São João Del-Rei, visando analisar a inserção do público como participante das ações performáticas, na busca de:
(...) Utilizar o ambiente urbano de maneira diferente das prescrições implícitas no projeto de quem o determinou; enfim, de dar-lhe [espectador-cidadão] a possibilidade de não assimilar, mas de reagir ativamente ao ambiente. (ARGAN, 1998, p. 219)
Os membros atuais do grupo Transeuntes são:
Professores - Ines Linke e Marcelo Rocco.
Alunos - Débora Trierweiler; Diego Souza; Diogo Rezende; Fernanda Junqueira; Gabriela Ferreira; Guilherme Soares; Halina Cordeiro; Henrique Chagas; Isabela Francisconi; Kauê Rocha; Nathan Marçal; Paula Fonseca; Rick Ribeiro; Tatiane Talita.
segunda-feira, 11 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Etiquetar-se!
Experiencia a partir de provocações de Inês Linke, realizada na "feira do Matuzinhos", São joão del-Rei, Minas Gerais!
Colocar
preços e vender!
Lucrar ao máximo em ideias e vendas.
Dar preço
para coisas suas ou nem tanto.
Oferecer aos
outros objetos e pertences seus, pelo o que o outro deve pagar.
Oferecer escuta para reclamações,
vender ideias e dar abraços.
Abordar o
outro se oferecendo.
Freqüentar a
feira do lado de cá, se postando como do lado de lá!
Comprar,
conviver, trocar.
Abraços de
graça, abordagens caras de riso fácil.
Resistência
e curiosidade.
Vender, comprar, será imprescindível?
Luís Firmato
quinta-feira, 7 de março de 2013
Texto de Gabriel Carneiro
Transeuntes 05/03/13
Neste dia foi aplicado um exercício sinestésico. Descalços e sobre um
gramado, o processo foi iniciado com um alongamento corporal. As
instruções pediam que percebêssemos e alongássemos os locais pouco
aquecidos do corpo. Em seguida passamos a procurar perceber e sentir os
outros indivíduos além do ambiente, seus ruídos, coisas e animais.
Passamos então a explorar o espaço de forma diferenciada. Um andar
diferente, um ritmo, um falar, um barulho. Trabalhamos a relação com os
outros participantes e com o meio. Os performers espalhavam água de uma
poça, subiam em grades e postes. Todos buscavam explorar o que u espaço
poderia oferecer, arrastando barras de ferro, produzindo ruídos,
espalhando terra, formas de andar e correr, posições e gestos corporais,
quebrando telhas ou simplesmente se movendo por todos os locais.
Procurei estabelecer uma relação com o espaço através dos pés.
Objetivando sentir pelo tato aquele ambiente, revolvi areia, procurei
sentir a aspereza do chão, a maciez da grama. No momento final do
exercício foi pedido que prestássemos atenção no movimento do grupo.
Deveríamos parar de nos mover quando alguém parasse e voltar quando o
grupo retornasse. Houve dificuldade para encontrarmos uma coordenação
coletiva, mas consegui me integrar no ritmo do grupo. Foi um exercício
que provoca a consciência e incentiva diferentes usos do espaço.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
FRETAR
A CIDADE EM “FESTA”
A ação “A
FESTA” surgiu de uma tentativa de trabalhar o “guarda-chuva” consumo, presente
em maior ou menor medida, mas não de diferente importância, nas pesquisas
pessoais de todos os Transeuntes.
Falou-se de
re-significar o espaço, transformar a cidade de São João del-Rei em uma grande
mansão, lugar de uma festa onde muitos foram convidados. Via redes sociais ou
no momento mesmo da ação.
Inicialmente
quis cruzar minha pesquisa pessoal sobre gênero e sexualidade travestindo-me. Porém
as explicações nunca são tão obvias e tive dificuldades em criar um argumento
capaz de convencer-me que não haveria troca de sentido, ou melhor dizendo, que
não mudaria o foco da ação. Acredito, e aceito discordâncias, que a aceitação
dos homossexuais se dá em alguns momentos em função de seu poder de consumo. Um
grupo sem filhos, alimentado por imagens de homens perfeitos na mídia e na
moda, e muitas vezes bem informados serve de prato cheio para uma lógica
capitalista de consumo desenfreado. Basta ver o comércio paralelo as grandes
paradas gays no país e no mundo. Faz-se bom lembrar que não estou criticando
tais manifestações e sim refletindo sobre como são usadas para apoiar mercados
que, como por mágica, passaram a ver nos homossexuais ótimos clientes. Uma vez
(?) homossexual tenho necessidade de refletir sobre minha condição, sem
esquecer, no entanto que sou antes cidadão, um ser pensante. Certa vez minha
terapeuta indagou-me sobre o porquê me cobrava tanto em acertar. Respondi ,
pretensiosamente, como se pudesse fazê-lo por todo os iguais na orientação
sexual, que nós homossexuais temos que fazer tudo perfeitamente para sermos
aceitos na sociedade. Ela me perguntou se eu queria acertar por que era uma pessoa
desejosa de que as coisas dessem certo ou só por era homossexual? Talvez você
leitor pense o que tem isso a ver com a ação citada no título, eu responderia:
muito. É que em minha proposta inicial queria tatear sobre até que ponto a
imagem de mulher que os travestis idealizam e efetivamente criam é forjada pela
mídia. Ou ancorado em um argumento não-preconceituoso, politicamente correto,
vou defender que travestis não existem os que são consumistas? Se forem vítimas
do(s) sistema(s) talvez devessem sabê-los. Não que minha indumentária e
atitudes os salvariam da areia movediça, mas eu quero entender para evitar
acusações preconceituosas. Fica a ideia amadurecendo. Momentos oportunos
existiram ou os criarei. Fui com as ideias, mas a roupa foi outra.
Vesti-me pensando em um emergente, novo
rico, que, por suas excentricidades falasse por ele mesmo. Fomos, mas a rua
recebe-nos com força. Iniciamos com escritos no chão. Tentamos re-significar os
espaços, a chuva deixou que ocorresse em alguns instantes: os acontecimentos
menos. É que um turbilhão de informações foram se achegando. No desespero
urgente de fazer alguma coisa surgiram idéias potentes e por isso
reaproveitáveis. Algumas nem tanto.
Vi muita
potência nas improvisações de Érika Camila, escolhida para ser dona da
mansão-cidade. Não me desculpo por ter provocado ações e movimentos que a
deixaram em apuros, já que se saiu muito bem. Agradou-me os escritos que tentamos
deixar em cada novo espaço. Usar a cidade subvertendo seus usos, ditos oficiais,
é sedutor.
Talvez tenham
sido negativos os momentos em que o grupo parecia em uma festa gay (gritos e
palmas não mascaravam a falta de ação?), o desconforto dos convidados que
souberam da ação “on line”, o que revelou que diferentes ideias de festa não se
fundiram sempre, e a perda do foco em criticar o consumismo.
Para o
primeiro problema sugiro que façamos exercícios e propostas que nos
instrumentalize para a rua. Improvisação é intelecto puro. Nada pode surgir do
que não existe. Isso por mais fantásticas e rápidas que sejam as soluções
surgidas em problemas da hora.
No segundo que
tenhamos um núcleo ativo. Aqueles que frequentam os encontros semanais precisam
de assiduidade para contatar com o que sugeri nas linhas acima. Assim acredito
que teríamos ferramentas para incluir os que estivessem inseguros, isso tudo se
for essa a proposta.
Criticar o
consumismo foi à principal barreira. Concordo com os que sugeriram que devemos
intensificar na criação das imagens e ações.
Comigo ficaram
guardadas imagens maravilhosas e a impressão de que só experimentando se pode
saber o sabor das coisas. Neste caso o sabor da rua é de vinho barato, água de
chuva, olhares raivosos, sorrisos fúteis e muitas sugestões.
Luís
Firmato.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Sobre o procedimento “A FESTA”,
A ação decorreu em meio à
previsão de chuva e à desorganização no trânsito.
Aos poucos os convidados foram
chegando, estabelecendo o primeiro problema: “de quem seria a festa?” Elegemos
a socialite Erika Camila pelo seu vestido longo. A Anfitriã tomou para si toda
a tarefa de abrir a sua mansão, no caso a rua, os espaços públicos, tudo que
era seu, tudo que deveria ser nosso, mas acaba sendo apenas um lugar de
passagem. Usamos os espaços diariamente? Ou temos o tecido urbano apenas como
um corre corre diário?
Quando eu vi a fonte, percebi que era mais um
lugar de contemplação que de uso (mau uso), pois a fonte, o coreto são utilizados
apenas para a contemplação passiva do espectador e nos festivais do ano, o
coreto é sinônimo de um quadro renascentista, pois podemos olhar, mas será que
podemos tocar??
Não, até que pode ser nos comícios, festas
,carnaval, mas diariamente, não somos convidados a usar os espaços.
Começa a chuva. Chuva não
convidada, mas acoplada aos procedimentos. Tudo foi absorvido. O transeunte não
entendia bem o que estava acontecendo, nem nós. Apenas seguíamos o fluxo, e
como local de ação, deixávamos ir. Percebi que os cartazes não fizeram tanto
efeito quanto os chup chups de gesso, graças à santa Ines de Calcutá.
Os escritos no chão iam dando
sentido à ressignificação do espaço: o posto virou SAUNA, a rodoviária CASSINO:
“rodoviária- uma monumento
erguido em homenagem às pessoas que não têm carro” (pobres mesmo),
bendita socialite Erika que, em
meio ao seu trabalho na ONG que ajuda
as adolescentes com acne, reservou seu tempo para conhecer onde fica
estes seres folclóricos chamados POVÃO. Percebo ai que os escritos no chão são
potentes, mas poucas pessoas escrevem nele, acredito que a ação ficaria mais
forte deixando os rastros (como sugere Ines) no chão, os rastros da nossa
trajetória.
É realizado o LEILÃO, ponto forte
do jogo cênico: leiloamos taças, bolsas, e posteriormente, a empregada, que foi
vendida por um salário mínimo, uma cesta básica e um chocotone no natal.
Bendito Luis, sempre agradando aos pobres, acredito que tenha copiado esta
ideia do MALUF quando dava o VALE LEITE EM PÓ nas escolas para as crianças que
não faltassem às aulas, e até o VALE GÁS.
Como diria Bruno Siqueira,
continuamos o SAFARI para conhecermos onde os pobres moram e o que fazem, seres
exóticos para nós: NUNCA ANDEI NUM ONIBUS, disse Luis. Ele achou emocionante,
pois treme mais que montanha russa. Outro ponto forte: as pessoas que desciam
se transformavam em celebridades, recebidas com fotos por parte dos fotógrafos,
faltaram os flashs para aumentar esta sensação de CELEBRIDADE INSTANTANEA.
Fomos para a PONTE DOS DESEJOS: “de hoje em diante eu quero boas noticias,
só me conte boas noticias” (frase citada por mim, extraída da nossa filosofa
XUXA MENEGUEL, que prefere ouvir boas novas que a realidade, afinal, ela pode,
ela (f) ode.)
Fomos até a BOATE (PONTO FRIO) E
PERCEBEMOS QUE AO INVES DE CRITICAR O LUGAR estávamos fazendo propaganda
gratuita, ai que medo: (Cuma?! Diria outro filosofo Didi Mocó, na época dos
Trapalhões, quando os outros o ajudavam a ser engraçado).
Finalizamos com um brinde,
molhados, lavados, satisfeitos, com muitos erros e materiais no bolso!
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